Dragon´s Dogma é um jogo no qual temos de criar um personagem para percorrer um mundo repleto de pessoas que precisam de ajuda. Pelo meio temos uma aventura que envolve o regresso de um dragão e a possibilidade de a humanidade não resistir a tamanha criatura.
Primeiro percorremos o modo de personalização que o jogo tem para oferecer, que nos permite escolher o sexo, raça, atributos da face e do corpo assim como voz.

O jogo Dragon´s Dogma é feito de uma enorme liberdade que nos é oferecida num enorme mundo que se perde de vista.

Normalmente nunca se começa uma análise falando do aspecto visual mas em Dragon´s Dogma vai ser um dos pontos principais.

Esperávamos melhor desempenho do MT Framework, motor que tanto de bom nos deu em jogos anteriores, mas que aqui parece resumido quase a uma qualidade vulgar para satisfazer as exigências de recriar um mundo vasto e enorme.

Os personagens apresentam um nível de qualidade visual superior mas os cenários são na sua maioria povoados por texturas fracas que tiram qualidade ao jogo.

Ter um mundo gigantesco cujos pequenos elementos distorcem a nossa sintonia com o mesmo consegue ter um impacto muito mais do que seria de desejar pela Capcom face ao trabalho aqui conseguido e como tal foi mesmo dos elementos que mais caracterizaram a nossa experiência com Dragon´s Dogma.

Claro que tudo isto pode ser esquecido caso se consigam envolver com as mecânicas de jogo e aqui a balança volta a ser desafiada pois Dragon´s Dogma em quase tudo o que faz aqui é agradável e de boa qualidade mas sem conseguir um pleno total.

O sistema de combate de Dragon´s Dogma é bastante simples e fácil de assimilar: podemos atacar, defender, agarrar adversários, usar ataques de magia, ataques físicos especiais, saltar e coisas do género esperadas em jogos deste género.

O sistema de combate em tempo real de Dragon´s Dogma é incrível mas nota-se que se preocupa muito com uma vertente cinematográfica cheia de estilo a pender para o dinâmico e a  lembrar muito Monster Hunter.

Tendo pela frente pequenas criaturas ou até mesmo enormes monstros, os bosses, Dragon´s Dogma oferece de tudo ao jogador e aqui este tem que se lembrar das regras tradicionais do tipo de natureza do adversário.

A combinação de golpes físicas ou o uso de magias específicas fazem com que o clicar de botões não se sinta tão óbvio e mecânicas como agarrar conferem pequenas nuances agradáveis na gameplay.

Tal não acontece em Dragon´s Dogma e novamente temos um jogo a fugir ao percurso em direcção ao excelente e a enveredar por outro tipo de caminhos que lhe permitem apenas algo menor. Para compensar esta ausência a Capcom introduziu uma interessante funcionalidade, conhecida como Pawn System, e apesar de ir além do curioso não deixa de fazer com que o jogador sinta que poderia ter sido feito mais.

Apesar de não o termos mencionado até agora, o Pawn System é um dos elementos mais importantes de Dragon's Dogma porque toda a experiência foi criada ao seu redor. O jogador vai ter a capacidade de invocar personagens sem vontade própria que seguem apenas os objectivos indicados pelo mestre e que vão formar a restante equipa. Existem três tipos diferentes de Pawns que vamos encontrar: os que surgem com o decorrer da história, aquele criado por nós no momento indicado, e aqueles que foram criados por outros jogadores e partilhados online para serem usados por quem quiser.

É esta partilha entre a comunidade que parece ir buscar semblantes ao esforço colectivo de entre ajuda visto em jogos da série Demon's/Dark Souls pois coloca a comunidade a ajudar-se, ajuda os outros para te ajudares. O sistema de combate ganha profundidade quando é pedido ao jogador que crie uma equipa de personagens com habilidades variadas para estar preparada para uma quantidade maior de possibilidades. Estes Pawns agem mais do que suporte, são um complemento nosso que podem ditar a facilidade com que percorremos este mundo.

 

É uma mecânica interessante e curiosa mas que infelizmente perde muito do seu impacto inicial pois pegarmos emprestado o Pawn de um amigo da nossa lista ou ver que o nosso está a ser muito solicitado não substituiu o valor que teria percorrer este mundo em modo cooperativo directo, com outros jogadores ao nosso lado. É algo que se sente como uma oportunidade falhada no jogo.

Onde a Capcom parece ter sabido interpretar bem as regras básicas foi na curva de aprendizagem das diversas mecânicas de jogo. Sentimos que somos devidamente introduzidos ao mundo e à gameplay e permite ainda que o jogador escolha as ajudas visuais presentes no ecrã e até o acesso ao mapa é intuitivo. Pena que a grande maioria dos menus já não o seja e até acções como trocar/melhorar armas/itens seja não penoso mas bem menos intuitivo e fluído do que deveria.

Dragon's Dogma tinha tudo para ser uma experiência de topo, o brilhante início de uma nova série com grandes trunfos para dar. No entanto, tal como está, Dragon´s Dogma é apenas um curioso arranque e o moderado sucesso que está a conquistar dá-nos alento para acreditar que a Capcom vai saber interpretar os erros e saber corrigir para oferecer um segundo ainda melhor ao invés de colocar a série na gaveta.

Dragon's Dogma é um jogo que poderia e deveria ter sido muito mais do que aquilo que é, um interessante e agradável jogo. Diverte em quantidade moderada mas poderia fazer tal de forma muito melhor e sem comprometer qualquer uma das suas bases estruturais. Mais do que a fraca componente visual, caso tivessem sido incluídas algumas funcionalidades como cooperativo directo e Dragon´s Dogma seria muito melhor do que é. O Pawn System é interessante mas não é o elemento arrebatador que a Capcom quer dar a entender.

Nota: 7/10

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