REVIEW – Battlefield 3

REVIEW – Battlefield 3

Maio 14, 2012 Não Por Perplera

Battlefield 3 era um jogo aguardado com certo anseio por jogadores e fãs incondicionais do gênero FPS, já que se tratava do retorno da franquia para a série principal, após dois títulos Bad Company em 2008 e 2010, restritos às consolas da geração atual. No entanto, após a ação de marketing que divulgou o primeiro vídeo com o gameplay do jogo, no início de Março, o novo Battlefield ganhou uma proporção muito diferente da qual estava predestinado a ter.

 As cenas de puro tiroteio ambientadas no Oriente Médio, com direito a todos os elementos do cenário a serem destruídos, foi o suficiente para acender uma ansiedade incontrolável pelo jogo, que aumentava cada vez mais à medida que outro vídeo que retratava cenas in-game que apareciam na web. O marketing baseado em vídeos de Battlefield 3 foi uma tacada certeira da EA e da DICE e constituiu o factor chave para acender o desejo pelo jogo.

Mas neste meio tempo até o lançamento do jogo, os jogadores estavam também um pouco receosos com o resultado final para o produto destinado às consolas domésticas. Todos sabiam que os vídeos disponibilizados na Internet eram extraídos da versão para PC, com máquinas dotadas com o que melhor há de hardware no mercado, para conseguirem obter os efeitos gráficos mais avançados possíveis através da nova engine Frostbite 2. Pouco depois, representantes de ambas as produtoras vieram a público para anunciar que o jogo para Playstation 3 e Xbox 360 não teriam suporte a 64 jogadores online e mapas com a extensão total, como nos computadores. Ou seja, a EA e a DICE estavam a querer vender aos seus consumidores uma conversão mal acabada e aquém das expectativas? Seriam todos aqueles que desejavam jogar o jogo obrigados a investir alguns mil euros num PC topo de gama?

 

Para a felicidade da nação dos joysticks, a resposta é não. Battlefield 3 nas consolas é uma experiência muito prazerosa de ser jogada numa Playstation 3.

No momento em que iniciei o jogo, escolhi começar a jogá-lo pelo modo que não foi o responsável pela fama da franquia, o singleplayer. A história envolve um grupo de soldados da Marinha dos EUA enviados a Teerã, no Irão, para oprimir as forças rebeldes do país, conhecidas como PLR (People’s Liberation and Resistance), cujo líder é Farukh Al-Bashir, um ex-combatente sem escrúpulos. Esta é a trama principal e seu papel será impedir os planos destrutivos do ditador. Até o momento, há uma sensação de déjà vu, por que quantos shooters não apresentam uma campanha para um jogador cujo objectivo é derrotar o terrorismo?

O jogo tenta desmistificar esta premissa logo de início com uma ocasião de pura adrenalina. A primeira acção do personagem que o jogador vai controlar deve ter sido inspirada na música do Matanza, “Pé na Porta, Soco na Cara”, pois o jogador é um fugitivo que já salta de uma ponte, cai no tecto de um comboio, dá um salto de dois pés na janela do vagão, acertando num inimigo em cheio, rouba a arma do indivíduo e dá o pontapé inicial nos tiroteios em Battlefield 3. O início é electrizante e o jogador mal consegue respirar. Só que infelizmente, a tensão vista aqui não se traduz para todas as missões. Elas terão picos de momentos furiosos apenas. Em outros, serão frustrantes, pois não são precisos muitos tiros para o jogador morrer e os inimigos têm uma mira precisa, portanto, terá de repetir a mesma passagem várias vezes para decorar a posição deles, até progredir com a história.

No final das contas, serão necessárias poucas horas para descobrir o fim da narrativa. A história é satisfatória, mas nada que faça o jogador desejar visitá-la como ao jogar um Uncharted, um God of War ou um dos atuais Batman. Se ela possui algo de inédito, e que vale ressaltar, é que desta vez o fanatismo é um pouco menos fervoroso. As bandeiras dos EUA não aparecem em demasia, há personagens que não se acham superiores ao resto do universo por serem norte-americanos e o desfecho da história é algo que surpreende por nos fazer acreditar que o autor dela tem uma visão de mundo um pouco mais esclarecida que a grande maioria dos cidadãos dos Estados Unidos.

 

À parte da história, ao jogar o singleplayer também foi possível avaliar com propriedade os quesitos estéticos de Battlefield 3. Em relação aos gráficos, talvez o jogo seja o exemplar mais bonito da categoria FPS que já rodou na Playstation 3. Estilhaços de vidros, buracos de bala que não desaparecem após atingirem objectos ou muros, texturas de paredes e do asfalto e efeitos de iluminação são exemplos visuais surpreendentes. É um show à parte observar o disparo de sinalizadores ao céu e partículas de poeira clareadas com a luz do sol, sem contar a capacidade de destruição dos ambientes. Se a engine Frostbite 2 prometia cenários com maior riqueza de minúcias gráficas, além de maior destrutividade, o objetivo foi alcançado. Os críticos podem reclamar que o PC pode oferecer um resultado mais apurado e que a quantidade de pop-ins seja bem perceptível, mas não conseguem tirar o brilho do trabalho realizado pela EA e DICE. Oferecer um visual como o de Battlefield 3 sem queda da taxa de frames por segundo em consolas não é um feito para qualquer estúdio de produção.

Se o visual já é arrebatador, os efeitos sonoros estão num nível superior. O som das balas ao passarem zunindo o jogador, das explosões e dos caças são uma experiência nunca tida com tanta perfeição. A dublagem dos personagens também é muito competente, todas carregadas de expressão e os seus companheiros controlados pela IA dão instruções importantes no campo de batalha. Durante o tiroteio, as falas dos outros soldados realmente passam a sensação de que o jogador  vivencia uma guerra. Caso o jogador  possua em casa um headset ou sistema de áudio Surround 7.1, não deixe de chamar os seus amigos só para impressioná-los com a qualidade do som deste Battlefield, principalmente aqueles que torcem o nariz para jogos e dizem que são coisa de criança.

Se o singleplayer não corresponde a todas as expectativas, o modo multiplayer online, a razão de existência da série Battlefield, nem chega perto de desapontar neste título e proporciona uma diversão ilimitada. Toda a experiência da EA quanto da DICE em jogatinas através da Internet fizeram com que as guerras online em Battlefield 3 sejam únicas.

Até agora, os modos online são divididos em 5 opções. Para aqueles que desejam acertar vários headshots, mas querem algo além de matar o esquadrão inimigo, há as seguintes escolhas:

  •       Conquest, uma versão do tradicionalíssimo capture the flag (equipas de 12 players cada);
  •       Rush, no qual a equipa atacante deverá tentar destruir as estações M-COM da equipa defensora, o qual além de protegê-las deve eliminar a equipa atacante para que esta não possua mais oportunidade de respawn no mapa (12 jogadores para cada equipa);
  •       Squad Rush, similar ao Rush, mas disputado em mapas muito reduzidos, entre 2 equipas de 4 jogadores cada.

Já para aqueles que se satisfazem apenas em fuzilar os adversários sem terem de se preocupar com objectivos secundários, existem os modos:

  •       Team Deathmatch, em que 2 equipas de 12 jogadores cada se enfrentam e quem realizar mais mortes vence;
  •       Squad Deathmatch, em que 4 equipas de 4 jogadores entram em fogo cruzado, a serem a vencedora quem realizar mais mortes.

 

Entretanto, os donos de Playstation 3 mais exigentes virão com muitas pedras na mão e questionarão “Como que Battlefield 3 pode ser tão interessante na consola como no PC, tendo menos jogadores por servidor e mapas bem menores?” As produtoras do jogo conseguiram resolver esta dúvida com mestria. A DICE não errou nas medidas para manter uma proporção adequada entre o tamanho dos mapas e a quantidade de players. As fases são do tamanho ideal, pois o jogador  não passa alguns minutos a correr ou a dirigir um veículo exaustivamente para encontrar tiroteios e todo o espaço é muito bem preenchido pelo número de jogadores permitidos.

Finalmente em ação, o modo online funciona de maneira exemplarmente competente. Não será necessário esperar em demasia para encontrar um servidor, pois eles são abundantes e o mecanismo de busca quick match, que permite o jogador  encontrar uma sala selecionando o mapa e o modo que deseja jogar, é muito funcional. Feito isso, o jogador  deverá customizar o seu personagem para começar a trocar tiros com outros jogadores.

Existem quatro classes selecionáveis de combatentes e cada qual possui uma finalidade específica em jogo. A Assault corresponde aos homens da linha de frente, que podem reviver os companheiros e evitar respawns da equipa; os Engineers são os que lidam de uma maneira geral com veículos, pois tanto tem arsenal para destruí-los quanto itens para repará-los; os membros Support são aqueles responsáveis por re-abastecer os soldados amigos com munição e por fim, a divisão Recon traz os conhecidos snipers, que carregam armas de longo alcance. Todo o equipamento de cada classe pode ser personalizado e o jogador  recebe novos itens à medida que acumula pontos de experiência e evolui de nível ao utilizá-las. O mais interessante desta segmentação é que nenhum arquétipo possui vantagem sobre os demais e eles estão todos equilibrados, o que não frustra a experiência de jogo.

 

Durante o combate, o jogador  contará com o auxílio de diversos elementos visuais no ecrã, para saber quais são as bases que deve defender ou atacar, quais são os amigos que precisam de ajuda basta ver no radar no mapa. Eles são muito úteis e realmente servem como coordenadas durante o jogo online. Aliado a isso, serão importantes mais dois fatores.

O primeiro é que é muito difícil jogar querendo realizar os objetivos por conta própria. Prestar assistência aos companheiros no modo online traz-lhe uma maior oportunidade de sucesso. Não hesite em fazer a cobertura de um jogador que procura destruir uma estação M-COM ou capturar uma bandeira, assim como auxiliar os que estiverem a controlar veículos. O jogo em grupo em Battlefield 3 é muito estimulado e se o jogador  geralmente procura ser um camper, não irá durar muito tempo vivo ou não marcará pontos para obter novidades para as classes selecionáveis.

O outro ponto importante é que o uso de veículos dá uma outra dinâmica ao jogo e é imprescindível saber conduzir cada um deles. Quanto aos que se movem por terra, como tanques e jipes, não será preciso muito esforço para utilizá-los, pois dirigi-los é relativamente simples. Mas o jogador  não será um Top Gun dos ares logo de primeira. Voar com os caças e helicópteros é uma tarefa difícil e para dominá-los o jogador  morrerá algumas vezes e demandará um pouco de treino.

Ao final de cada combate, o jogador  receberá pontos de experiência e ribbons (honrarias) conforme as suas realizações dentro do campo de batalha. Quanto mais exigentes forem as ações, mais itens raros o jogador conseguirá e o esforço é recompensado por um maior ganho de XP. E todas as estatísticas de jogo estão reunidas de forma mais detalhada no serviço do jogo chamado Battlelog. Ele é uma rede social em que o jogador  pode interagir com diversos jogadores de Battlefield 3, assim como os seus amigos que possuem o título, desde que todos estejam registrados no site. Além disso, é possível comparar os resultados obtidos in-game e até mesmo configurar suas preferências de servidores e iniciar o jogo pelo próprio site, caso o jogador  seja proprietário do exemplar para PC.

 

O único desleixo do modo online não é o multiplayer para até 24 jogadores, mas sim o modo cooperativo para 2 pessoas. Nesta opção de jogo, o jogador  deverá cumprir missões junto de um outro amigo, mas é algo que não acrescenta nada à experiência de Battlefield 3 pela falta de novidades e capricho. A aventura co-op se baseia totalmente nas missões singleplayer e às vezes o jogador  irá reviver momentos idênticos da narrativa principal, com a única diferença que agora o jogador  não está sozinho para enfrentar os inimigos. Além disso, não há uma trama específica para este modo, o que dá a impressão de que foi adicionado apenas para dizer que não deixaram de cumprir com a promessa do jogo cooperativo.

Em suma, Battlefield 3 é um jogo que é focado na raiz da série e naquilo que a DICE e a EA sempre souberam realizar com primazia: criar um modo online divertidíssimo, muito viciante e que provavelmente não será deixado de lado por o jogador , mesmo depois de meses de proveito. O tratamento concedido aos gráficos (graças à Frostbite 2) e efeitos sonoros pelas duas companhias ainda alavancam o realismo da experiência. A campanha single player, apesar de não comprometedora, não irá durar além de poucas horas e só será refeita para os jogadores que desejam procurar os troféus de platina, ao mesmo passo do co-op. Se o jogador  adora jogar títulos FPS online, é certeza de que irá adorar o jogo e a compra é altamente recomendada. Se o jogador  acha que não vale a pena entrar no universo das guerras na web, dê prioridade a outro título, já que o final de ano está repleto de ótimos jogos.

 

NOTA: 9/10

Positivo
    Negativo