REVIEW – Resident Evil Village

REVIEW – Resident Evil Village

Maio 21, 2021 Não Por Perplera

As dúvidas que pairavam sobre Resident Evil Village eram principalmente de origem narrativa, junto com o terror assustador de que todo o projeto pudesse representar uma mistela mal combinada de títulos da franquia. Por outro lado, ver lobisomens musculosos, vampiros perturbadores e criaturas que pareciam completamente fora do contexto na fase promocional tinha despertado muitas preocupações já na antevisão do jogo.

E em vez disso, com uma sensação de surpresa que superou todas as expectativas, Resident Evil Village é um capítulo de extrema importância para toda a saga, capaz de dar todas as explicações necessárias, de juntar os pontos como poucos outros episódios fizeram até agora e capaz de criar uma ponte muito sólida para o futuro. Além disso, pode apresentar uma estrutura de jogo que está em perfeito equilíbrio entre os ritmos sóbrios de Resident Evil 7 e o mais aclamado e elogiado Resident Evil 4.

Os primeiros estágios de Resident Evil Village são imediatamente animados, um assalto militar que abana a estrutura familiar e termina em tragédia, um sequestro repentino e um acidente que faz com que Ethan apareça sozinho, no escuro da noite e na neve, enquanto segue um caminho que o levará direto à misteriosa aldeia que é o teatro dos horrores que em breve viverá.

Mas Resident Evil Village adora desviar-se e esconder-se, aos poucos vai revelando a história e aos poucos assume toda a sua verdadeira forma, encontrando o seu ponto alto no final da aventura, quando as ligações se tornam evidentes e as revelações se tornam sensacionais , lançando uma nova luz sobre o passado e abrindo um vislumbre perturbador de um futuro inesperado feito de mistificações e maquinações nas sombras.

Embora haja momentos em que o jogador precisa esvonder a sua descrença, com algumas cenas ridículas, a força da história nunca fica atordoada. Pelo contrário, acaba por ser muito mais vigorosa do que noutros capítulos, onde foi revelado muito menos e não houve grandes insights. Com este novo capítulo, a Capcom criou uma nova base sólida sobre a qual a franquia pode viver em paz pelos próximos dez anos. Fá-lo graças aos novos pontos de viragem narrativos e às implicações que estes implicam, e ao nível da jogabilidade pura, encontrando uma fórmula que é realmente difícil de atacar. A ponto de, ao chegar aos créditos finais, sentir que quer mais.

Desta vez, em Resident Evil Village, Ethan encontra-se a enfrentar quatro personalidades do mal, todas elas estão ligadas à Mãe Miranda, ela é cegamente idolatrada por um grupo de seguidores e aberrações que marcaram a face da antiga vila. Cada um dos quatro grandes oponentes está localizado em áreas fora da aldeia, que serve como área principal de onde se ramificam os caminhos, vias e caminhos secundários. A aldeia em si é muito mais do que uma simples área, e é de fato o sistema nervoso do jogo, onde o jogador terá que ir com frequência, tendo a oportunidade de explorar cenários anteriormente excluídos.

O design dos níveis é muito inteligente e acaba por fazer um pequeno retrocesso suave e necessário, sem nunca prolongar artificialmente uma duração que no primeiro jogo ronda as dez horas. Quando a vila se abrir mais e o jogador começar a entender realmente qual é sua verdadeira escala, Resident Evil Village torna-se uma aventura capaz de controlar os seus ritmos com uma facilidade desarmante, alternando lutas furiosas e momentos em que a pessoa se sente oprimida e avança com medo e grande circunspecção. Nesse sentido, Resident Evil Village consegue a árdua tarefa de agradar verdadeiramente aos fãs da série e ao público em geral, proporcionando momentos de grande tensão e outros em que a gestão do jogo não abusa descaradamente na ação.

Gráficos e Som…

Depois de experimentar a demo final no PC e perceber as diferenças técnicas entre ela e a versão PS5, é claro que a ampla gama de opções e a capacidade de computação realmente fazem a diferença em comparação com a consola da Sony. No entanto, o compromisso alcançado parecia satisfatório para nós e a taxa de fps permanece estável e sem soluços. A lacuna entre interiores e exteriores pode ser vista, sendo este último mais desprotegido do que a magnificência arquitetônica do castelo e outros cenários, com renderizações de altíssima qualidade junto com sombreadores e texturas que contribuem para criar uma grande atmosfera. As névoas volumétricas, quando atingidas pelas luzes, perdem coesão e mostram grãos anormais, mas são episódios que, para ser sincero, são muito raros. A destruição de certos elementos e ambientes está muito bem conseguida. Outro ponto que adorei foram as animações e reações dos inimigos aos golpes sofridos, mas esperava bem mais da inteligência artificial, que permanece bastante básica e ancorada às rotinas já vistas na anterior geração.

A caracterização do bestiário, mas acima de tudo da aldeia e de tudo o que está além, é realmente do mais alto nível. A Capcom não estava a mentir quando afirmou que aquele lugar deveria ser considerado um personagem real. A atenção aos detalhes é notável e nada foi deixado ao acaso, um claro sintoma do fato de que se trata de um capítulo que quer indicar uma direção precisa e ser lembrado ao longo do tempo como um modelo válido para produções futuras.

Jogabilidade…

Para entender completamente o que é Resident Evil Village, o jogador terá que fazer o esforço mental para imaginar o esqueleto da jogabilidade de Resident Evil 7 aliado a uma maior abertura dos cenários, que oferecem possibilidades e situações mais variadas e modernas, capazes de garantir uma habilidade para uma manobra completamente diferente. Na aldeia e nas áreas mais espaçosas, o jogador pode ser atacado por matilhas de lobisomens e feras selvagens, nas áreas mais fechadas, com interiores no escuro onde cada passo se torna incerto, diferentes dinâmicas mudam significativamente. Porém, nem sempre é assim e nem sempre é uma regra escrita, pois Resident Evil Village consegue mudar de skin rapidamente, trazendo muitas surpresas.

É o caso do segundo cenário, quando, após uma área de exploração no meio de uma floresta sombria envolta numa névoa fúnebre, o jogador finalmente irá estar dentro de uma casa perto de um penhasco. Graças a um ardil que não revelamos, Resident Evil Village oferece momentos de puro terror, encenando um dos momentos de maior sucesso de toda a franquia.

Resident Evil Village flui lindamente, dando ao jogador uma liberdade diferente do capítulo anterior. O jogador não só conseguirá encontrar diferentes armas e atualizá-las diretamente no comerciante chamado Duke, mas também pode trazer itens que incluem tesouros encontrados nos cenários ou recolhidos dos corpos de inimigos.

Administrar e vender coisas é uma atividade que nos mais altos níveis de dificuldade aconselhamos que faça com muito cuidado, já que ficar sozinho na hora da necessidade é uma possibilidade que só se apresenta aos mais ousados. O jogador também pode comprar plantas no comerciante para fabricar por conta própria as balas e bombas, mas precisará dos recursos certos para conseguir o que precisa.

Os incríveis DualSense e Pulse 3D…

O DualSense é capaz de sentir todo o peso das diferentes armas, com os gatilhos adaptativos que fazem uma resistência completamente diferente ao trocar de uma arma para outra, mesmo na mesma categoria. Se o disparo de uma pistola obriga o jogador a pressionar o gatilho com mais força, com uma rifle de precisão o jogador sente todo o peso e força propulsora de um calibre que não é nem de longe comparável.

Em relação aos auscultadores Pulse 3D, em determinados momentos tínhamos a sensação de nos sentirmos rodeados por uma atmosfera de total perigo e precariedade, com grunhidos baixos vindos das zonas escuras junto aos barracos abandonados, os estalidos secos da madeira, o tilintar aborrecido de uma fábrica não tão abandonada como parece e todos aqueles sons ambiente que mudam de uma área para outra. No campo do áudio, nota-se que Resident Evil Village tomou uma atenção redobrada e isso nota-se bem no jogo.

Conclusão…

Resident Evil Village afasta as dúvidas sobre o enredo e a alegada inadequação de certas figuras do terror, fazendo um trabalho cuidadoso e convincente sobre a narrativa, que revela detalhes sensacionais sobre o passado e abre caminho para um futuro de perspectivas grandiosas. A fórmula de jogo de sucesso é a mistura perfeita de Resident Evil 7 e o último culto de Mikami, e embora seja claro que o enorme potencial não foi totalmente explorado, Village é o melhor que o jogador poderia pedir de um capítulo. Conseguir apresentar-se como um clássico moderno e ao mesmo tempo como um dos capítulos de maior sucesso da série, não foi facto mas foi conseguido com sucesso.

 

Nota 9/10

Positivo
  • A combinação ideal entre Resident Evil 7 e Resident Evil 4.
  • Revelações que criam uma ponte entre o passado e o futuro.
  • Ritmos de jogo perfeitamente calculados.
  • Ótimo equilíbrio entre ação, calma e quebra-cabeças.
  • Uma base muito sólida para os capítulos do futuro.
Negativo
  • Acredito que o seu potencial não foi totalmente explorado e é sentido em diferentes áreas e fases do jogo.

Um pouco mais sobre o autor…

O Bruno Costa é o editor e supervisor dos conteúdos da Strong Player. É o principal editor que distribui o seu tempo entre criação de notícias, reviews e desenvolvimento de artigos com curiosidades. Gosta de uma variedade de jogos bem extensa mas a sua preferência vai para os jogos de Zombies e para jogos com um modo história envolvente. Adora jogos de ação de mundo aberto com modo multiplayer e o seu preferido é o The Division 2.